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Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: José Maria Correia

Profissão: Advogado

Idade: 65 anos

Na manhã de 14 de maio de 1968, estudantes secundaristas e universitários ocuparam o prédio da Reitoria da Universidade Federal do Paraná, um ato que simbolizava a revolta contra a tentativa do regime militar em instituir o ensino pago nas universidades, em defesa da liberdade de expressão e pelo fim da ditadura no país. Na linha de frente, um grupo de estudantes contra um batalhão de policiais, entre eles JOSÉ MARIA DE PAULA CORREIA, calouro do curso de Direito.

Depois de arrancarem o busto do reitor Flávio Suplicy de Lacerda, odiado entre os alunos por ser o mentor da privatização do ensino público no Brasil, avalizando o acordo Mec-Usaid assinado um ano antes, a massa saiu em passeata pela Rua XV até a Praça Osório arrastando até lá o busto.

“Eu era praticante de judô, tinha um porte forte, e estava bem na frente. Participei de todos os momentos, das barricadas, da negociação, até o final na Boca. Ainda hoje tenho um pedaço do busto do reitor, que é um peso de papel na minha mesa para me lembrar daquele grande momento”, conta José Maria. Integrante do grupo que tentava reorganizar a UNE, José Maria Correia não chegou a ir a Ibiúna, São Paulo, no fatídico congresso que acabou com a prisão de todos os estudantes naquele mesmo ano.

Em 1972, faz concurso para a Polícia Civil do Estado do Paraná e começa a ser preparar para ingressar da carreira de delegado. Mantendo a convivência e amizade com os companheiros da época de militância estudantil, José Maria se aproximou do MDB e participou do CBA-Curitiba – e acompanhava, de dentro da Polícia Civil, a luta pela restauração da democracia no país.

Em seu depoimento, o ex-delegado José Maria Correia conta como foi assediado para integrar o Doi-Codi no Paraná, a vigilância sistemática, o terror de algo acontecer com a família e as pressões sofridas por ser declaradamente um homem envolvido com a esquerda e persona non grata dentro da corporação.

Eleito vereador de Curitiba pelo PMDB em 1982, conseguiu negociar, já que ainda havia resistências à homenagem, e aprovar um Título de Cidadão Honorário de Curitiba para Dom Helder Câmara, entregue numa grande solenidade no antigo Cine Vitória. Numa visita a Cuba e Nicarágua representando o prefeito Maurício Fruet, quase teve seu mandato cassado.

Em 1987, no Governo Álvaro Dias, José Maria ocupou o cargo de delegado geral da Polícia Civil e deu prosseguimento às diretrizes estabelecidas no governo anterior pelo Secretário de Segurança Luiz Felipe Haj Mussi para desarticular o sistema repressivo no estado do Paraná. “Houve uma ampla investigação interna e descobrimos o arquivo da Dops, que muitos diziam ter sido destruído”, conta José Maria. Com informações datadas de 1930 até 1989, o arquivo continha cerca de 40 mil fichas. “Houve uma grande resistência para a abertura dos arquivos” relembra. Finalmente em 1991, já no governo Roberto Requião, é assinado o Decreto Estadual 577 que repassou ao Arquivo Público do Paraná a guarda do acervo. 

 

 

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