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Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: Carlos Frederico Marés

Profissão: Procurador do Estado do Paraná

Idade: 67 anos

CARLOS FREDERICO MARÉS DE SOUZA FILHO teve o primeiro contato com integrantes do Partido Comunista Brasileiro ainda no secundarista, mais especificamente no último ano no Colégio Estadual do Paraná, em 1964. Um dos seis filhos de promotor público em Palmas, Carlos Marés trouxe de casa o interesse pelos livros, especialmente os de sociologia e filosofia. Quando em 1965 começou a cursar Direito na Universidade Federal do Paraná, ele já conhecia o grupo que iria resistir e combater a ditadura dentro da universidade.

“O golpe de 1964 não afetou o nosso grupo e quando entramos na universidade já nos reorganizamos, pois já tínhamos experiência de mobilização”, afirma. Ao lado de José ‘Cela’ (sic), Marcos Machado, Berto Curvo, Vitório Sorotiuk, Roberto Requião e Aluísio Albino Ramos, este já falecido, Marés faz parte da chapa que disputou o DCE em 1966 e é escolhido presidente. “A ditadura desarticulou os movimentos camponês, operário, sindical e os partidos políticos e a última resistência era a dos estudantes. A universidade passou a ser o palco da resistência”, analisa.

A mobilização dos estudantes chamou a atenção dos militares a partir de 1968: Tomada da Reitoria, Congresso da UNE em Ibiúna e Minicongresso da UNE na Chácara do Alemão são alguns dos eventos que marcaram o ano que terminou com a edição do Ato Institucional nº 5 e legitimou a violência contra os opositores ao regime. “No episódio da Chácara do Alemão, cheguei tarde e todos já tinham sido presos. E como estava no quinto ano do Direito, com a carteira da OAB pude visitar meus companheiros na prisão”.

Depois desse episódio, Carlos Marés foi acusado de escrever um manifesto, julgado num processo fraudulento e condenado a três anos de prisão, enquanto quem assinou recebeu a pena de seis meses de detenção. “Eu já militava no PCBR, embora tivesse uma vida legal, e quando veio a ordem de prisão eu cai na clandestinidade. Isso foi em 1970. Fui para Santos e com o apoio da minha família e amigos, eu e Maria Dirce, minha companheira, partimos para o Uruguai”, relembra.

E aqui começa a odisseia de resistência à ditadura no exílio. Recebidos por Leonel Brizola no Hotel de propriedade de João Goulart em Montevideo, Marés recebeu o mesmo apoio e estrutura que centenas de refugiados do regime militar brasileiro. Do Uruguai, em 1971 o casal vai para o Chile. “No Chile, até o golpe de derrubou Salvador Allende, tive que me virar para sobreviver, fazendo trabalhos de tradução, linotipista e até de engraxate”.

Em Dezembro de 1973, partimos para a Dinamarca como refugiados políticos e com um passaporte que nos proibia de voltar ao Brasil. “Podíamos ir a qualquer lugar, menos ao Brasil. Recebíamos notícias do nosso país pelas rádios, revistas mexicanas e jornais clandestinos, sempre com quinze dias de atraso”. Em 1977, Marés, sua esposa e dois filhos pequenos, vão para São Tomé e Príncipe, na África portuguesa, e lá permanecem até o retorno ao Brasil em 1979, um mês antes da decretação da Anistia.

No retorno, apesar das agruras do exílio, Carlos Marés retoma a vida, filia-se no MDB e faz concurso para a Procuradoria do Estado do Paraná. “Passo a me dedicar à militância social, defendendo os povos indígenas e contribuindo teórica e juridicamente com o MST”.

 

 

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