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Se existe impunidade no Brasil, ela foi criada durante a Ditadura Militar, porque a Ditadura autorizava matar, assassinar, sequestrar, desaparecer.

Se existe impunidade no Brasil, ela foi criada durante a Ditadura Militar, porque a Ditadura autorizava matar, assassinar, sequestrar, desaparecer.


Nome: Claudio Ribeiro

Profissão: Advogado

Idade: 70 anos

CLAUDIO ANTÔNIO RIBEIRO nasceu em Nova Rezende, em 1943. Sua família logo se deslocou para uma região de ocupação de terras próxima de Londrina, mais especificamente Centenário do Sul. Lembra Ribeiro que, o interventor Manoel Ribas e o governador Moyses Lupion distribuíram títulos naquela região, levando à grilagem de terras e expulsão dos colonos. Ocorreu então um longo processo de resistência armada. Claudio recorda de algumas cenas, como cinco assassinatos que testemunhou quando era criança, mas admite sua incapacidade para compreender seu sentido naquela época. De família católica, julga ter herdado alguns valores dessa tradição, como solidariedade e percepção de justiça. Estudou em Porecatu, nos anos 1950, presidindo o Centro Estudantil Castro Alves, nutrindo forte gosto pela leitura e acompanhando os noticiários por intermédio do rádio.

Mudou-se para Curitiba, no começo dos anos 1960, aprovado em concurso público para o banco (1963). “Passando no vestibular da faculdade federal de direito, ali com as conversações e as conversas daqui e de acolá, acabei de certa forma tomando conhecimento de várias formas e quando veio o Golpe de 1964 eu já sabia de que lado ficar. Fui em seguida escolhido para presidir o Partido Acadêmico Renovador [PAR] da UFPR, exatamente porque eu tinha um discurso muito claro do que achava que deveria ser feito” e por não ter uma lealdade organizacional definida, o que lhe possibilitava unificar as diferentes correntes. O PAR, que disputava as eleições para o CAHS, aglomerava estudantes com pensamentos de esquerda e foi, paulatinamente, assumindo um caráter de resistência.

Ribeiro lembra que, ao mesmo tempo em que eles tentavam organizar os jovens na universidade (da qual saiu formado em 1967/1968), a Ditadura reprimia os sindicatos, especialmente o dos bancários. Então, foi formado um grupo para retirar o sindicato da categoria da intervenção sofrida, o que conseguiram no primeiro semestre de 1967 com uma votação esmagadora que elegeu Ribeiro secretário-geral, assumindo a condição de dirigente de uma chapa de composição com pessoas de diferentes tendências políticas (PCB, PCBR, entre outros). Sua falta de vínculos orgânicos com algum grupo específico o possibilitou exercer seu cargo com desenvoltura, conduzindo o sindicato em um momento de claro favorecimento do capital em detrimento do trabalho. Participou do primeiro encontro nacional dos bancários, no Rio de Janeiro, logo após a posse da chapa, começando ali as discussões sobre a necessidade de uma greve geral contra a política macroeconômica e o arrocho salarial imposto pelo regime.

Relembrando a aguerrida resistência interposta por diversos setores sociais contra a Ditadura em 1968, recorda que foi ao Rio de Janeiro mobilizar os bancários para os protestos ocasionados pela morte do estudante Edson Luís de Lima Souto(Passeata dos Cem Mil). Ainda nesse ano, ocorreu outro encontro nacional dos bancários, agora em São Paulo, e Ribeiro foi para defender a necessidade iminente de realização de uma greve  geral. Com ampla articulação nacional favorável a essa tese, saíram do encontro com a deliberação de realizar a greve, acaso as negociações não avançassem no sentido do governo atender às exigências de restituir os salários defasados.

 Além dessa questão, Ribeiro lembra que por meio do sindicato também atuavam em outras frentes como forma de mobilizar os bancários e a população, a exemplo da construção de cerca de quatro mil unidades residenciais em um projeto firmado em parceria com o recém-criado Banco Nacional de Habitação. Também promoviam jogos, campeonatos e outras ações para agregar os sindicalizados.

Próximo da greve dos bancários em Curitiba, em 1968, foi recrutado por Edésio Passos para integrar a Ação Popular Marxista Leninista (AP-ML), participando de reuniões em Curitiba e em outras cidades, onde eram discutidas questões internas, documentos, sobretudo de teor maoísta, e dado cursos de sindicalismo. Mas, admite que sua formação se deu muito mais por meio da poesia engajada que de leituras teóricas. Foi um relacionamento esporádico com a organização, uma vez que divergia de algumas diretrizes, como a fusão com o PCdoB.

O endurecimento do regime atingiu Ribeiro, que foi preso no dia quatro de novembro de 1970 “já de uma forma mais dura” no quartel da polícia do exército. Lá foi torturado e testemunhou as sevícias impostas a dois presos políticos do PCBR: “Xanha” e Elinor Mendes Brito. Ribeiro lembra que foi preso e interrogado, como se fosse da ala do Marighella. Ficou nessa condição de sequestrado pelo regime por cerca de sessenta dias, sendo transferido para outros locais para ser interrogado. Como não foi processado, ao final desse processo foi libertado. Voltou a exercer atividades sindicais, reassumindo suas funções. Porém, logo foi cassado e o sindicato colocado sob intervenção. Algum tempo depois, pressionada a direção do banco o demite e é avisado que iriam prender sua companheira e então decidem fugir, passando um tempo escondidos em uma fazenda de sua família em Minas Gerais.

O casal retornou ao Paraná, entre 1971 e 1972, e enfrentou sérias dificuldades, até que Ribeiro recomeçou sua vida profissional, advogando em Pato Branco. Após esse período, já no final dos anos 1970, retornou a Curitiba e fundou um escritório de advocacia trabalhista para reconstruir as atividades sindicais e auxiliar os movimentos populares nos bairros. Envolveu-se também com a luta pela Anistia ampla, geral e irrestrita e no processo de fundação do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores.

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