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Foi uma época maravilhosa, porque a nata da intelectualidade brasileira por assim dizer tinha aderido à esquerda.

Foi uma época maravilhosa, porque a nata da intelectualidade brasileira por assim dizer tinha aderido à esquerda.


Nome: Osiris Boscardim Pinto

Profissão: Dentista

Idade: 86 anos

OSIRIS BOSCARDIM PINTO é natural de Curitiba, nascido em 1927. Lembra que seus primeiros contatos com o Partido Comunista Brasileiro foi na célula Leocádia Prestes, nos idos dos anos 1940, que se situava na rua Comendador Araújo.

Já próximo do golpe 1964, participou ativamente da vida social local, tanto nas atividades políticas, docentes e sindicais quanto culturais como violinista, chegando inclusive a tocar músicas sacras na igreja. Esses contatos não impediram que fosse vítima de perseguição política, na alvorada da Ditadura. Enquanto nas principais cidades do país transcorria a Marcha com Deus pela Família e Liberdade, em sua cidade pessoas vinculadas à congregação mariana fizeram um ato em frente ao seu escritório contra o “comunismo ateu”, ameaçando incendiar o recinto. Embora Osíris as tenha rechaçado com uma pistola, acabou tendo que se afastar de parte de suas atividades políticas. “Ficou dali em diante patenteado que eu não poderia mais continuar as minhas atividades em Peabiru, as pessoas tinham medo de mim. Os congregados marianos conseguiram o intento deles”. Mudou-se então para Campo Mourão, onde conheceu e estreitou os laços com o também presidente do sindicato dos trabalhadores rurais, Moacir Ferraz.

Passado algum tempo, Boscardim retornou a Apucarana, dedicando-se exclusivamente à docência no ensino médio e superior. Manteve algumas atividades políticas em uma célula local do PCB, mas em suas palavras “muito discretamente para não prejudicar sua carreira”. Ficou na cidade até 1975, quando um companheiro lhe disse que era “melhor procurar outro lugar para viver e morar, porque aqui vai ficar difícil”. Transferiu-se então para Curitiba, sendo acolhido por Ivete Torres Ribeiro, com quem desenvolveu um relacionamento afetivo e conjugal. “Durante algum tempo morei na casa, até que um dia fui surpreendido com a presença do DOI-CODI, que foi me visitar na casa dela [dia dezesseis de outubro de 1975]. Então, eu fui morar atrás das grades durante um período de quase dois anos. Eu fui, devo dizer, um dos últimos a ser preso” na Operação Marumbi, responsável pela desarticulação do PCB no Paraná. Osíris foi levado de olhos vendados em um carro e interrogado em vários lugares e por diferentes órgãos da repressão, sofrendo torturas psicológicas, como simulação de fuzilamento.

 

Pelo que lembra, passou pouco tempo em locais clandestinos, ouvindo “gritos lancinantes de muitos de meus companheiros que eram vizinhos de cela. Não fui testemunha ocular, mas auditiva” de torturas, “nunca passei emoções tão fortes assim na minha vida”. Passou pelo DOI-CODI, DOPS e Polícia Militar, onde fez uma bem-sucedida greve de fome que durou dez dias contra os péssimos tratamentos, sendo então removido para o hospital por falta de condições de permanecer no cárcere. Até ser absolvido por unanimidade de votos ao final do processo formal, foi mantido na Prisão Provisória do Ahú, de onde guarda recordações do “tratamento humano” dispensado pelo Coronel Furquim, podendo tocar violino, exercer atividades como dentista e festejar a presença das famílias que iam visita-los. Sua saída do PCB se deu somente com a criação do Partido Popular Socialista.

O depoimento de Osíris nos conduz por várias outras lembranças desses tempos, ora agoniantes, como o período de desemprego forçado, ora radiantes, como o apoio e a vida partilhada com Ivete, os tempos passados nos EUA e o contato com o partido comunista local e o surpreendente encontro com um aluno que era guarda do presídio, que tentou lhe auxiliar.  

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