A PHP Error was encountered

Severity: Notice

Message: Only variable references should be returned by reference

Filename: core/Common.php

Line Number: 257

A PHP Error was encountered

Severity: Warning

Message: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/kelle/dhpaz.org/system/core/Exceptions.php:185)

Filename: libraries/Session.php

Line Number: 675

A PHP Error was encountered

Severity: Warning

Message: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/kelle/dhpaz.org/system/core/Exceptions.php:185)

Filename: libraries/Session.php

Line Number: 675

1968 foi o despertar da consciência, foi um verdadeiro laboratório. Tínhamos grupos de estudos. Mas logo veio o AI-5 e tudo mudou.

1968 foi o despertar da consciência, foi um verdadeiro laboratório. Tínhamos grupos de estudos. Mas logo veio o AI-5 e tudo mudou.


Nome: Dimas Floriani

Profissão: Professor Universitário

Idade: 63 anos

DIMAS FLORIANI nasceu em Rio dos Cedros, Santa Catarina, uma típica cidade dividida politicamente em torno da igreja e do futebol, sendo um time da UDN e outro do PSD. O caminho do seminário era natural, já que garantia uma forma de ascensão social para o filho de agricultores sem muitas posses. “Os salesianos eram um pouco mais liberais, tinham obras sociais, eram uma ordem muito mais secular com projetos sociais”, analisa.

Em 1966, Dimas se mudou para Curitiba, onde já tinha dois irmãos vivendo para tentar um emprego melhor e conseguir ter mais tempo e condições para estudar. Depois de seis meses conseguiu trabalho em uma imobiliária, como auxiliar e datilógrafo. Passou a estudar à noite no CEP, onde adquiriu certa consciência social. “Encontrei pessoas que já tinham uma visão crítica da realidade. Pessoas que posteriormente foram perseguidas. Elas me ensinaram a ler Antonio Gramsci com dezesseis, dezessete anos de idade. Essa curiosidade pelo conhecimento foi fundamental”.

Na capital, integrou o movimento estudantil de 1966 a 1968 ainda no CEP. Já sob o AI-5, Floriani passou no vestibular de direito da UFPR e começou a atuar no CAHS. “Eu comecei a participar do centro acadêmico onde havia ainda um grupo de resistentes, pois aqueles que eram líderes da resistência começaram a ser perseguidos como o Vitório Sorotiuk, o Carlos Frederico Marés”, relembra. No Hugo Simas, formou-se um grupo de pessoas que começaram a oferecer gratuitamente aulas para pessoas que não tinham condições de entrar na Universidade. “Nós criamos um cursinho voluntário”.

Dimas lembra ainda que a Polícia Federal infiltrou um informante no curso de direito, o ‘Natanael’, que tinha a missão de localizar pessoas que eram críticas ou tentavam organizar alguma forma de resistência. “Era comum eu receber ameaças do Natanel de que se eu me pronunciasse em sala poderia ser preso. Foi um momento em que o sistema começou a sofisticar a repressão para identificar alguns surtos de resistência ou possíveis pessoas que pudessem estar organizando uma maneira de resistência crítica ao regime militar”.

Por conta dessa vigilância, Dimas resolveu abandonar o Direito e retornou tempos depois para estudar filosofia, na mesma UFPR. Conseguiu um emprego para lecionar filosofia. Bem remunerado, alugou uma casa na Rua Santo Antônio, perto da Rua Chile. “Fizemos a mudança com um grupo político que nós tínhamos, que eu chamaria assim de resistência. Cada um tinha assim alguns vínculos políticos, mas por questões de segurança nós não dizíamos que grupos políticos eram esses”, conta. Muito tempo depois, ele descobriu que um era do MR-8, outro da POLOP, outro da VPR, que eram organizações clandestinas, algumas inclusive armadas.

Porém, o cerco ia se fechando e muitos dos que viviam na casa ou a frequentavam foram sendo presos como Claudio Ribeiro, os irmãos Faria, Nelson Seratiuk, entre tantos outros. “No fim, o Eduardo Stots, que era da POLOP, acabou entrando na clandestinidade. Aí eu fiquei sozinho”. Isolado, em Janeiro de 1972, Dimas decidiu se exilar no Chile, passando antes pela Argentina. “No Chile, fomos morar em uma pensão onde havia morado o Geraldo Vandré, um ano antes”. Mas a situação no exílio era tensa e no dia do golpe contra Allende, Dimas e sua esposa conseguiram abrigo na casa de um boliviano. Após permanecer semanas na Embaixada do Panamá, com mais de trezentas pessoas de toda a América Latina, tendo que muitas vezes dormir em pé, o casal seguiu para a Bélgica, onde permaneceu exilado por sete anos.

Voltar para depoimentos

Visite-nos:

Rua Voluntários da Pátria, 475, Ed. Asa

Escritório: conjunto 1209, 12º andar

Mini auditório: conjunto 608, 6º andar

Centro - Curitiba/Pr - 80020-000

Fone: ++ 41 3079-1759