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Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: José Ferreira Lopes

Profissão: Médico

Idade: 61 anos

JOSÉ FERREIRA LOPES, ou “Zequinha”, nasceu em Marília, em uma família de produtores rurais retirantes, semianalfabetos. Embora seus pais não tivessem uma atuação política, seus vizinhos e amigos – e uma irmã mais velha - estavam vinculados ou simpatizavam com o PCB. Essa proximidade o influenciou e Zequinha começou a ter uma participação política já no movimento secundarista, participando do grêmio de seu colégio e de pequenas manifestações estudantis.

A fim de cursar o ensino superior, mudou-se para Curitiba onde já residia um irmão, e foi aprovado em medicina, em 1965. Do primeiro ano se recorda especialmente das noitadas e festas, mais do que das reuniões no DANC das quais participava, ou mesmo dos estudos. Foram seus primeiros contatos com o movimento estudantil da época, destacando-se as apresentações de teatro e as palestras da UNE. Foi a partir de 1966 que passou a ter maior compromisso com a militância, aproximando-se de quadros da AP, concorrendo à vice-presidência da UPE e participando das lutas reivindicatórias e políticas dos estudantes. Passou então a organizar congressos, aproximar-se do movimento secundarista e viajar por meio da UPE, formando diretórios acadêmicos e grêmios estudantis. Logo seria recrutado pela AP e passaria a ter uma atuação mais orgânica, acompanhada de estudos dos clássicos marxistas.

No momento de reorganização e crescimento do movimento estudantil, em 1967, foi preso pela primeira vez, durante uma pichação, sendo levado para a DOPS, onde passou trinta e seis horas. Foi deixado nu e em cima de uma lata de cera, com dedos apontados para a parede.

De forma alguma esse episódio o afastou da militância, pelo contrário. Em 1968, participou ativamente das manifestações estudantis, que cresceram em volume e crítica, sobretudo a partir da morte de Édson Luís, no restaurante Calabouço. “Tinha povo, massa, estudantes sentindo que as coisas não andavam [...] eu estava levando o curso e a militância, mas o curso já estava secundário, a militância era principal”. Até o AI-5, Zequinha foi preso outras duas vezes, participando dessa ebulição social puxada pelos estudantes.

Com o “golpe dentro do golpe” foi deslocado para São Paulo, participando da secretaria de organização nacional da AP, onde fazia trabalho de articulação. Contudo, logo seria integrado à produção. Iniciando na construção civil, passou bom tempo em uma indústria têxtil, onde desenvolveu amizades e promoveu discussões com pequenos grupos. Diante de uma onda de prisões de simpatizantes e militantes, a repressão acabou chegando até Zequinha e dando início ao seu calvário. Após um árduo período de torturas em Minas, foi abandonado em uma delegacia de bairro. Quando descobriram que era militante da AP, voltou a ser torturado e foi transferido para o CENIMAR, no Rio de Janeiro. Então foi novamente enviado a Minas, onde sofreu novas torturas, até ser levado a Curitiba para responder processo do tempo do movimento estudantil.        

Após esse período nas malhas da repressão, conseguiu sair da prisão e, em 1972, aderiu ao PCdoB, realizando viagens para organizar o partido. Passou um tempo em São Paulo, onde casou com outra militante da AP/PCdoB (Maria de Fátima) e foi para Jequié, na Bahia, iniciar um trabalho de formação de estruturas secundárias para guerrilha. Lá, logo deixou sua ocupação de vendedor para montar uma olaria, sempre mantendo contato com o partido. Após alguns anos, viu-se forçado a abandonar a cidade, em decorrência da queda do comitê central do PCdoB, em 1976, refugiando-se em um sítio em Recife, completamente isolado. Permaneceu nessa situação até o começo dos anos 1980, quando retornou a Curitiba e retomou não só a faculdade como a vida partidária. De lá para cá, Zequinha se tornou importante dirigente do PCdoB de Curitiba e do Paraná, sempre presidindo ou pelo menos compondo diretórios. 

 

 

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