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Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: Francisco Luiz de França

Profissão: Aposentado

Idade: 92 anos

FRANCISCO LUIZ DE FRANÇA, nascido no Rio Grande do Norte em 1922, recorda que já sua mãe era “prestista”. Ele, primeiro como simpatizante e depois como membro, começou a desempenhar tarefas pelo PCB nos anos 1940, ao passo que integrava como funcionário os esforços governamentais de combate à malária. Recorda-se de uma de suas primeiras ações na esfera pública, que foi um movimento que fizeram para que fossem cedidos gratuitamente pelo menos os uniformes de trabalho. Encaminharam um abaixo-assinado reivindicatório para o Ministério da Educação e Saúde, o que rendeu a França e a alguns de seus companheiros vigilância, perseguição e demissão. Dessa conjuntura, lembra também das manifestações de entusiasmo decorrentes da legalização do PCB, após o final do Estado Novo, que entretanto durou pouco sendo revogada ainda sob a presidência de Eurico Gaspar Dutra. Com base nessa medida,França foi pressionado para se desligar oficialmente do PCB, acaso quisesse continuar a trabalhar na área de saúde para o governo. Como recusou, foi demitido.

Os despedidos organizaram um protesto de repúdio à medida, mobilizando várias pessoas, mas ninguém foi readmitido. Nesse interlúdio, França passou pelo Rio de Janeiro e São Paulo. Neste estado, mantendo-se no partido, aproximou-se do sindicato dos trabalhadores da Pireli, onde arrumou empregou e integrou movimentos reivindicatórios, além de escrever e distribuir um jornal. Foi novamente demitido, em decorrência de suas convicções e ações políticas em prol dos trabalhadores. Chegou a ser preso várias vezes, em plena república populista, “de quinze em quinze dias”. Como consequência da perseguição, entrou na clandestinidade e foi deslocado pelo PCB para o interior paulista, próximo de Araçatuba, onde auxiliou na organização de um movimento de posseiros, que foi reprimido pela polícia. O jornal “Terra Livre” noticiou esses acontecimentos.   

Após o desmantelamento do movimento, continuando na militância a serviço do PCB, França foi deslocado primeiro para Ourinhos e depois para o nordeste do país, para compor o secretariado do partido com sede em Recife, sendo sua família deixada em São Paulo. Nessa condição, auxiliava na organização interna e na distribuição das tarefas delegadas pelo Comitê Central.

 

Em meados dos anos 1950, procurado pelos agentes de “ordem política e social”, foi enviado para Maceió, também com o objetivo de organizar as bases locais para participarem do quarto congresso do PCB. Na clandestinidade, impedido de voltar a Pernambuco, foi trabalhar na Bahia, já por volta de 1958, participando do comitê estadual do PCB, até retornar ao Recife anos mais tarde. Nesse período participou do quinto congresso do partidão. Sendo processado e com prisão preventiva decretada no Recife, mudou-se novamente. Na clandestinidade, participou, em 1966, do sexto congresso.

Sem poder retornar ao nordeste, passou algum tempo no Rio de Janeiro, até ser transferido para o Paraná, em 1968, onde o presidente era Aparecido Moralejo. França recorda desses primeiros momentos no estado, apontando que o partido estava desarticulado e os militantes e simpatizantes assustados com a onda de prisões no ano anterior. Sua missão era, justamente, operar a reestruturação do PCB, de seus comitês e organizações de base. Cumpre-a com relativo sucesso até 1975, quando o partidão sofreu novo e duro golpe com a operação Marumbi, iniciada a partir da queda de um membro no Rio de Janeiro, que havia passado pelo Paraná e Santa Catarina em missão.

França foi sequestrado pelo DOI-CODI, na noite do dia vinte de setembro, e mantido preso na clandestinidade e em condições deletérias, sendo interrogado sob tortura física e psicológica por cerca de vinte dias, após os quais foi transferido para a DOPS. No final de outubro, a delação de um colega fez com que França voltasse a ser barbaramente torturado, até o final do ano, quando foi transferido para o Presídio Provisório do Ahú, onde cumpriu pena. Após ser solto, continuou militando no PCB, ocupando importantes cargos. Lembra de ter participado de movimentos de bairros e de ter montado dois times de futebol de areia, um deles “O Partidão”.               

Depoimento imperdível, que retrata um período crucial da história do PCB no país e no Paraná.

 

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