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Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: Euclides Coelho de Souza

Profissão: Artista

Idade: 77 anos

EUCLIDES COELHO DE SOUZA ou “Dadá” nasceu em Roraima e jovem foi estudar no Amazonas, participando de movimentos nacionalistas, como “O petróleo é nosso”. Ouvindo enorme propaganda sobre Curitiba, mudou-se para a capital paranaense a fim de estudar. Ao chegar já se envolveu com o movimento estudantil local e passou a frequentar certa banca na Rua XV, cujo proprietário fazia circular literatura marxista. Mais militando do que estudando, aproximou-se do PCB, assumindo a secretaria da juventude. Nesse contexto, lembra-se do ato que organizaram denunciando a invasão de Cuba pelos EUA, no episódio da Baia dos Porcos.

Artista por talento e convicção, ao longo de toda a trajetória de Dadá arte e militância se imbricam e ressignificam. Concomitantemente à atuação estudantil, Dadá passou a organizar peças teatrais, como “Patria ou muerte” que originou o Teatro Popular, em parceria com Walmor Marcelino. Lembra de terem adaptado peças de Sartre, Camus e Brecht e realizado as primeiras apresentações com bonecos no começo dos anos 1960, o que se tornaria seu ofício, meio de luta e paixão. A pedagogia freiriana exercia forte influência nas reflexões desses jovens, que buscavam qualificar sua linguagem para se aproximar do tão idealizado povo. Ora atuavam em centros universitários ora se deslocavam para a periferia, buscando estreitar os contatos e despertar a consciência dos trabalhadores.

Parte da atuação do Centro Popular de Cultura (CPC) do Paraná se explica a partir da ida de Dadá ao Rio de Janeiro a fim de discutir os rumos da entidade com membros de outras seções estaduais do órgão cultural da UNE. A diretriz foi que, cada estudante retornaria para seu estado, promovendo cultura popular no lugar da imposição de temas exógenos, além da alfabetização de adultos, conforme o método freiriano. Dadá enfatiza os corriqueiros conflitos entre o CPC e o PCB.

Muito visado, com o golpe e a desarticulação do CPC Dadá passou um período foragido, transitando entre o norte do país e o Rio de Janeiro, até que optou por retornar a Curitiba e tentar rearticular o movimento cultural e estudantil, mesmo respondendo a dois IPMs. Com o apoio de mães que levavam seus filhos assistir a apresentações de teatro de bonecos na praça da Espanha, organizaram então o jardim Pequeno Príncipe, mais tarde fechado pela polícia. Ainda antes do AI-5, Euclides e sua companheira Adair iriam e retornariam de Moscou, onde fizeram curso político e de teatro. Passaram um tempo em Brasília e com a condenação no IPM aberto para apurar as atividades do CPC se refugiaram no Chile e no Peru, onde também promovem teatro popular, fundindo-se com grupo local.

O casal retornou ao solo pátrio anos mais tarde, já após a Anistia. Mais uma vez, o intrépido par recomeçaria suas atividades culturais e políticas, não só mantendo o Teatro de Bonecos Dadá, como atuando em importantes manifestações do período, como a campanha pelas Diretas Já. “Eu tinha que ser político para ser artista”.      

Euclides conheceu sua companheira Adair (a verdadeira “Dadá”, cujo apelido mais tarde passaria para o próprio Euclides) já nos primórdios dos anos 1960. Ela o acompanhou na vida, arte e luta, sendo sua parceira em todas essas frentes e a inspiradora do nome “Teatro de Bonecos Dadá”. Pesarosamente, esteve muito doente durante a realização do projeto, vindo a falecer antes de dar seu depoimento. Contudo, durante as gravações Euclides fez questão de registrar parte de sua vida e personalidade.

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