A PHP Error was encountered

Severity: Notice

Message: Only variable references should be returned by reference

Filename: core/Common.php

Line Number: 257

A PHP Error was encountered

Severity: Warning

Message: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/kelle/dhpaz.org/system/core/Exceptions.php:185)

Filename: libraries/Session.php

Line Number: 675

A PHP Error was encountered

Severity: Warning

Message: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/kelle/dhpaz.org/system/core/Exceptions.php:185)

Filename: libraries/Session.php

Line Number: 675

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: Elza Pereira Correia

Profissão: Professora

Idade: 66 anos

ELZA PEREIRA CORREIA se define como “filha de comunista”, criada numa “família comunista” onde a generosidade, a solidariedade e a ética foram os valores que forjaram o seu caráter. É inegável a influência do pai, Manoel Jacinto Correia, vereador eleito, liderança do PCB e um dos artífices da Guerrilha de Porecatu. Mas a coragem e a determinação da mãe, Anita, e da avó, Maria César, também permeiam as memórias de Elza, filha, mãe, avó, comunista, cidadã e vereadora eleita em Londrina, norte do Paraná.

Das lembranças do pai, Elza destaca em seu depoimento as dezessete vezes que ele foi preso pela militância política, dos meses sem poder vê-lo, pois foi mantido incomunicável, das visitas na cadeia, das fugas na calada da noite e do preconceito sofrido pela família de comunistas. “Passamos por muitas necessidades econômicas, vivemos na clandestinidade, meus irmãos – eram onze filhos, sendo oito legítimos – e eu sofremos “bullying” na escola. Devido à militância do meu pai, nós nunca baixávamos a guarda. Estávamos sempre alerta, prontos para esconder e destruir livros, documentos ou mudar de nome e cidade”, recorda.

A participação de Manoel Jacinto na Guerrilha de Porecatu se deu em meados de 1940, quando o PCB resolveu somar força com os posseiros que lutavam contra grileiros da região. Do conflito, surgiu a primeira liga camponesa e os primeiro sindicatos rurais que rendeu a Manoel Jacinto e a sua família uma implacável perseguição das forças repressivas, especialmente no pós-1964. “Meu pai era o primeiro a ser preso e o último a ser libertado. Nesses momentos de ausência, minha casa era mantida pela força da minha mãe e avó, contra tudo e todos”. E mesmo com grandes dificuldades, a casa de Manoel jacinto sempre tinha uma cama, uma refeição para os militantes que precisavam de apoio. Quando estava com a família, “a presença forte e alegre de meu pai compensava todos os contratempos”.

Elza Correia afirma que não gosta de falar desse período e que tem pesadelos ainda hoje da sua prisão em 1970, quando foi levada para o quartel do exército de Apucarana onde seu pai também estava preso. Mas o faz por obrigação com o resgate da memória. “Quando se é presa nestas circunstâncias, aos vinte e dois anos, pode ser um dia, um mês ou prisão perpétua, as marcas são profundas e permanecem por toda a vida”, acredita.

Neste processo, Elza ressalta ainda que a questão de gênero está presente e pesa ainda hoje, pois a ditadura foi impiedosa com as mulheres, muitas delas vítimas de assédio, abusos sexuais e estupros por parte dos agentes públicos. A defesa dos direitos da mulher é uma das prioridades na carreira política de Elza, que chegou a presidir o Conselho Estadual da Condição Feminina no governo Roberto Requião.

Apesar dos traumas e perigos iminentes, e dos avisos da família para não radicalizar, Elza entra de cabeça no movimento cultural de Londrina junto com Nitis Jacon e Abelardo Moreira, este já falecido, entre outros militantes de esquerda. Para militar em prol dos movimentos sociais foi um pulo, estando entre as fundadoras do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Eleita vereadora de Londrina pelo PCdoB em 1994, a filha de Manoel Jacinto foi reeleita e em 2002 chegou à Assembleia Legislativa pelo PMDB. Hoje cumpre o terceiro mandato como vereadora em Londrina, ainda pelo PMDB.

 

 

Voltar para depoimentos

Visite-nos:

Rua Voluntários da Pátria, 475, Ed. Asa

Escritório: conjunto 1209, 12º andar

Mini auditório: conjunto 608, 6º andar

Centro - Curitiba/Pr - 80020-000

Fone: ++ 41 3079-1759