A PHP Error was encountered

Severity: Notice

Message: Only variable references should be returned by reference

Filename: core/Common.php

Line Number: 257

A PHP Error was encountered

Severity: Warning

Message: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/kelle/dhpaz.org/system/core/Exceptions.php:185)

Filename: libraries/Session.php

Line Number: 675

A PHP Error was encountered

Severity: Warning

Message: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/kelle/dhpaz.org/system/core/Exceptions.php:185)

Filename: libraries/Session.php

Line Number: 675

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: Antônio Narciso Pires de Oliveira

Profissão: Professor

Idade: 64 anos

ANTONIO NARCISO PIRES DE OLIVEIRA, mais conhecido como NARCISO PIRES, filho de um funcionário público federal e uma dona de casa, tem a sua vida política marcada pelas amizades de adolescência em Apucarana, Norte do Paraná, alguns entre os quais construirão com ele, nos 60 e 70, a resistência ao Regime Militar. José Idésio Brianezi, Antonio dos Três Reis de Oliveira, Geraldo Magela Soares Vermelho, Francisco Dias Vermelho, Manuel Cesar Mota, Valdir Feltrim, Valdecir Feltrim formarão o principal time da resistência na cidade. São meninos cuja idade variava de 15 a 20 anos. Idésio e Três Reis seriam assassinados pela ditadura militar em abril e maio de1970. Francisco morreria acidentalmente uma semana antes de seu apartamento ser invadido pela polícia política e Geraldo, Valdir, Valdecir e o próprio Narciso seriam presos nesse mesmo ano. Manuel conheceria a clandestinidade por alguns anos.

 

Em 1966 Narciso, Três Reis e José Idésio se envolverão com a UEA – União dos Estudantes de Apucarana. Em 1967 construirão todos juntos o Clube Cultural de Apucarana, o início da tomada de consciência sobre a ditadura militar e as desigualdades econômicas e sociais em Apucarana, no Brasil e no mundo. Ainda nesse ano Narciso conquista a presidência do CENC, Centro Estudantil Nilo Cairo do Colégio de mesmo nome, que será o principal espaço de atuação e resistência desses meninos na cidade. Em 1968, é a partir do Congresso da UPES (secundarista) em Cornélio Procópio, onde Narciso e Idésio serão fotografados e fichados pela primeira vez pela DOPS, que se intensifica esse processo de consciência política. Todos, no começo desse mesmo ano, irão compor uma célula da DI (Dissidência do PCB) na cidade de Apucarana, organizada por Berto Curvo, então vice-presidente da UPE (universitária).

 

“Nesse momento a gente já percebia as profundas desigualdades socioeconômicas no país e no mundo, as suas causas e sabíamos das implicações do golpe militar, uma clara renúncia à soberania nacional e contra o povo brasileiro”, afirma.  E das questões locais, os ‘meninos’ partem para ações mais abrangentes como a luta contra o acordo MEC-USAID e contra a violenta repressão ao ME em todo o país. Os meninos de Apucarana já não sonham apenas com uma educação de qualidade, mas com um país e um mundo mais justo e igualitário, o socialismo. O assassinato de Edson Luiz de Lima Souto, no restaurante Calabouço no Rio de Janeiro, faz com que em abril de 1968 organizem uma passeata de estudantes em Apucarana que contou com cerca de 3 mil jovens. Passeata que terminou com a palavra de ordem puxada por Idésio: “Viva o Brasil!”, lembra Narciso. Tal evento fez com que o grupo fosse chamado no quartel do Exército para dar explicações.

 

Narciso assume em 1968 também a presidência da UEA- União dos Estudantes de Apucarana, entidade que seria nesse mesmo ano, em 15 de dezembro, dois dias após a promulgação do AI-5, invadida, fechada e lacrada por uma tropa do exército comandada pelo capitão Aimar. Impossibilitados de continuar a atividade política em Apucarana e já rompidos com a DI, os meninos de Apucarana vão se dividir. Idésio e Três Reis aderem a ALN do Marighela e partem para São Paulo nos primeiros meses de 1969. Narciso, Francisco e Manuel para Curitiba. Os demais, impossibilitados pelas condições econômicas, permanecem em Apucarana. Com excecão de Idésio e Três Reis todos os demais se integram a POLOP.

 

Narciso em Curitiba, em 1970, entra na UFPr para fazer Jornalismo. É na condição de vice-presidente do DARPP que nesse mesmo ano parte para a clandestinidade, sendo preso no final do ano. Depois da prisão, impossibilitado de permanecer em Curitiba, volta para o interior e vai ser professor suplementarista em Mamborê, cidade próxima a Campo Mourão, no Norte do Estado de 1971 a 1973. Em 1974 a DOPS lhe nega o atestado para fins de magistério e se encerra a sua condição de professor. Novamente em Apucarana, em 1975, ajuda a reorganizar o PCB. Com o desmonte do PCB no Paraná nesse mesmo ano pela “Operação Marumbi”, comandada pelo exército e já foragido, seu irmão Lauro Narciso é preso e torturado pela repressão, mesmo ela sabendo que ele não era ativista. Lauro é torturado uma noite inteira e libertado com o recado de que todos os demais familiares seriam presos e torturados até que Narciso se entregasse. Diante de tudo isso Narciso se entrega e mesmo assim é sequestrado, preso e torturado no quartel do exército em Apucarana pelo capitão Isnard de Moura Romariz. Em seguida é transferido de Apucarana para Curitiba, algemado, com os olhos vendados e levado para um centro clandestino de tortura do exército, ironicamente chamado pelos torturadores de “clínica Marumbi”.

 

Preso em 16 de outubro de 1975 é libertado dois anos depois, em 16 de outubro de 1977, após ter sido condenado e passado pelos centros de tortura, pela DOPS, pelo Quartel da PM da Marechal Floriano, pelo Regimento Cel. Dulcídio e finalmente pela penitenciária do AHU, todos em Curitiba. No início de 1978, casado e com uma filha a caminho, engaja-se na luta pela Anistia sendo eleito presidente do CBA- Curitiba, organizando reuniões, passeatas e protestos, mobilizando estudantes, sindicalistas e trabalhadores contra a ditadura ao lado de Claudio Fajardo, Moacir Reis Ferraz, Otávio Barbosa, Valmor Marcelino, Sônia Kessel, Leo Kessel, Elba Ravaglio, Edésio Passos, Zélia Passos, Claudio Ribeiro e centenas de outros companheiros e companheiras igualmente importantes. Militante quase em tempo integral, Narciso continua a ser vigiado pela repressão e ameaçado pelo CCC.  “A decretação da Anistia não a ampla, nem geral e nem irrestrita, bem ao contrário do que queríamos, trouxe, mesmo assim, de volta os companheiros exilados e foi um recomeço para todos”, destaca. Mas muitos militantes continuavam presos, e ainda havia muito por lutar fosse pela libertação dos presos políticos, pelas Diretas para presidente, a Constituinte ou em apoio aos movimentos sociais que se intensificavam. Depois dessa prisão de dois anos, Narciso chegou a ser detido mais quatro vezes.  No final dos anos 70 e início dos 80 se integra ao MR-8 com atuação dentro do PMDB, junto com Fajardo, Alzimara Bacellar, Gilberto Fonseca, os irmãos Ildeu e Julio Manso Vieira, Marlene Zannin, Luiz Gonzaga e outros.

 

Em 1985 cria a Sociedade de Direitos Humanos para a Paz e dez anos depois, em 1995, funda o Grupo Tortura Nunca Mais do Paraná, nos quais milita até os dias de hoje. Coerente com os seus sonhos de juventude, continua, após 46 anos de luta a ser um militante dos direitos humanos, comprometido com a construção de um mundo mais justo, igualitário e fraterno.

 

Parte 1 

 

Parte 2 

 

Voltar para depoimentos

Visite-nos:

Rua Voluntários da Pátria, 475, Ed. Asa

Escritório: conjunto 1209, 12º andar

Mini auditório: conjunto 608, 6º andar

Centro - Curitiba/Pr - 80020-000

Fone: ++ 41 3079-1759