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Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: Adolpho Mariano da Costa

Profissão: Advogado

Idade: 77 anos

Mineiro de Paranaíba, nascido em 1936, ADOLPHO MARIANO DA COSTA mudou-se para Juiz de Fora onde fez parte de seus estudos, concluídos na capital paulista em meados dos anos 1950. Em São Paulo iniciou suas atividades políticas, fazendo o curso de dramaturgia do Teatro Arena e direito na USP, onde se formou em 1965. Durante a faculdade, escreveu para alguns jornais, como “O Grasno” e participou das atividades estudantis e culturais na universidade, aproximando-se do PCB.

 

Fugindo da repressão, mudou-se para Medianeira, Paraná, em 1966, onde instalou um escritório de advocacia por meio do qual prestava assistência jurídica gratuita à população carente, como posseiros, trabalhadores rurais e sem-terras. Atuava também como correspondente jornalístico e fundador e mantenedor do jornal “O Encontro”. Mais tarde, esses trabalhos possibilitaram sua eleição a vereador. Nessa condição, participou da Associação de Vereadores de Faixa de Fronteira, que reivindicavam liberdades institucionais e direito de eleger prefeitos.

 

Sua atuação social e o exercício crítico de seu mandato, em meados dos anos 1970, renderam-lhe vigilância constante, perseguição e perda da legislatura. Os anunciantes de seu jornal foram pressionados a abandonar a publicidade no veículo, foi feita uma marcha de protesto contra sua obra “O donatário”, foi afastado da docência, seu escritório foi invadido, o carro multado na própria garagem e, por fim, foi intimado a renunciar ou ser cassado, o que veio a ocorrer. “Uma vez cassado procuravam dizer que eu era um proscrito da sociedade, um morto civil”. Contudo, já com a redemocratização, nos anos 1980, seu jornal voltou a circular e ele foi eleito prefeito de Medianeira.

 

Sua militância, sempre pautada pelas brechas legais que lhe permitiam atuar, abrangeu ainda a fundação da comissão provisória e depois diretório do MDB – não obstante a oposição dentro do próprio partido que considerava suas posições demasiado radicais -, a luta em prol dos trabalhadores rurais (por meio da Comissão Pastoral da Terra) e das populações indígenas, ambos atingidos pela construção de barragens e alagamentos. Mariano chegou a escrever um relatório para a OAB sobre a situação dos índios na região e, inclusive, presidiu a subseção da ordem dos advogados, de Foz do Iguaçu.

 

No período final da ditadura, sagrou-se no teatro paranaense com uma peça de teatro sobre os problemas gerados pelas barragens na região, chamada “Canal de Desvio”. Integrou o governo de José Richa, apurando os casos de violação de direitos humanos nos presídios e atuando para salvaguardar os direitos dos interno. Mariano encabeçou ainda a campanha pelas Diretas Já, colocando-se como uma das cinco pessoas que começaram essa luta no Paraná, reunindo-se na sede do Diretório Acadêmico Nilo Cairo.

Seu extenso campo de ação abrangeria, ainda, a lei de execução penal, a Constituição do Paraná, na condição de parecerista, e a presidência do Arquivo Público do Paraná, por meio do qual pressionou pela abertura dos arquivos da repressão. Em decorrência dessa ousada bandeira para liberação dos documentos da DOPS, mais uma vez, agora em pleno regime democrático, sofreria ameaças e perseguição. Um depoimento preciosíssimo, imperdível, que cobre mais de cinquenta anos de luta travada nas brechas da lei por uma sociedade mais justa.

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