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Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná

Depoimento para a História - A resistência à ditadura militar no Paraná


Nome: Neusa Pires Cerveira

Profissão: Professora

Idade: 55 anos

NEUSA ROMANZINI PIRES CERVEIRA é filha de Maria de Lourdes Romanzini e Joaquim Pires Cerveira, major do exército e militante da Frente de Libertação Nacional (FLN), cassado em 1964, preso e torturado em 1970 e desaparecido político desde 1973, quando foi sequestrado na Argentina aos quarenta e nove anos pela Operação Condor. A trajetória de vida e militância de Neusa está intimamente ligada a do pai, pela bravura e coragem em lutar pela liberdade e igualdade do povo brasileiro, e a da mãe e irmãos, pela determinação em resistir à repressão para defender os ideais e crenças da família.

As reminiscências da infância a levam até o bairro Água Verde, em Curitiba, onde o pai, defensor da revolução democrática cubana, recebe Ernesto Che Guevara para um pernoite em 1966. “Não houve reunião nenhuma com nenhuma organização, ele apenas estava em trânsito”, destaca Neusa. Ela também lembra das vezes em que a casa esteve repleta de estudantes que partiam para fora do país, ou era vigiada pela repressão, cercada outras vezes por agentes de segurança, e de como a família teve que partir para o Rio de Janeiro para viver na clandestinidade. “Quando tinha dez anos, minha casa foi invadida por muitos homens das polícias Militar, Civil que perguntavam do meu pai. Eu não sabia. Usaram de muita violência, rasgaram minha roupa e só não fui estuprada porque um homem mais velho impediu”, recorda.

Em 1970, o Major Pires Cerveira foi preso pelo DOI-CODI do Rio de Janeiro, junto com a mulher e o filho, e foram todos barbaramente torturados. Nessa época, Pires Cerveira trabalhava com Carlos Lamarca, que acabou acolhendo Neusa, nessa época com doze anos, em um sítio enquanto a família estava presa na Rua Barão de Mesquita. Quando o pai foi trocado com outros trinta e nove presos políticos pelo embaixador alemão, Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben, Neusa foi para o Chile com o pai, enquanto a mãe e o irmão voltaram para Curitiba.

Enquanto Neusa vai do Chile para Portugal com um casal a pedido do pai para garantir a segurança da menina, o major Pires Cerveira transita entre Chile e Argentina, até ser sequestrado em dezembro de 1973. De volta ao Brasil no ano seguinte, ela adere ao PCB e inicia sua própria militância, engajando-se em campanhas no ME, sendo detidas algumas vezes, pela Anistia, Diretas Já e Constituinte.

Em 1992, fixa residência em Natal, Rio Grande do Norte, “um lugar que me acolheu depois de tantas andanças”. Sem militância efetiva, Neusa continua numa luta para entender seu passado e o do Brasil. Sua dissertação de mestrado é sobre a ‘Luta Armada no Nordeste – PCR – 1966/1973’ e a tese de doutorado, ‘Memória da dor: Operação Condor’, defendida na USP em 2007.   

 

 

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